Bugs Bunny Lost in Time


Certos personagens devem possuir poderes de manipulação do tempo que nunca nos foram apresentados. Figuras como Pernalonga, Pica-Pau e Chapolin simplesmente aparecem em diferentes partes da história com pouca - ou nenhuma - explicação que justifique tal viagem.

Não é um problema, afinal não gostaria de ficar sem o episódio do Alma Negra ou sem os episódios do velho oeste do Pica-Pau, mas como eles foram parar lá? Descolaram um De Lorean? São seres imortais que acompanham a história da humanidade há eras? NÓS NÃO SABEMOS!

Mas eis que a Infogrames, que fez vários jogos de desenhos por volta dos anos 2000, decidiu pegar o toelho e finalmente explicar como ele distorce o tempo e espaço com tanta facilidade!

Ou apenas usaram esse pretexto para juntar a maior parte dos vilões e cenários sem perder totalmente o sentido, você decide.

Bugs Bunny Lost in Time

Desenvolvedora: Infogrames / Behaviour Interactive

Lançamento: 1999

Plataforma: Playstation e Windows




A história do jogo acontece quando Pernalonga encontra e aciona, por acidente, uma máquina de tempo. O coelho vai parar num tipo de limbo, onde descobre que está perdido no tempo e que para voltar ao presente é necessário encontrar combustível para a máquina (relógios e cenouras, mas vejam só). E é claro que a viagem não é direta, ele tem que vagar por diferentes eras até encontrar o presente.

São cinco períodos durante o jogo: a pré-história, a era dos piratas, os anos 30, a era medieval e a dimensão X (que é basicamente o futuro), onde enfrentamos respectivamente Hortelino, Eufrazino, Rocky e Mugsy, a bruxa Hazel e Marvin, o marciano, além da participação de Patolino e alguns outros personagens em momentos específicos.


Dessa forma o jogo abrange praticamente todos os inimigos que Pernalonga colecionou na sua história. Isso se tornaria um problema quando eles decidiram fazer uma sequência (qualquer dia falaremos dela), mas faz muito bem para esse jogo e dá a sensação de um trabalho completo e bem feito. Os personagens são carismáticos, engraçados e bem diferentes, levando-nos a confrontos únicos e divertidos.

Claro, Hortelino é mais legal como caçador comum do que como neandertal, mas não dá para deixá-lo de fora do jogo. E no final eles acabaram colocando um nível com o Hortelino caçador, acho que não resistiram. Fora ele todos se encaixam perfeitamente nos seus níveis.


Lost in Time foi o primeiro da leva de jogos Looney Tunes em 3D que a Infogrames fez, então ele tem o mérito de criar o estilo gráfico que seria padrão nos outros jogos, mas ao mesmo tempo é o mais básico deles. Os cenários fazem um uso muito bom das cores e preservam o estilo dos desenhos, mas são simples e no PS1 o draw distance não é muito bom.

Algo muito legal é que o progresso entre as eras é "misturado": completamos uma fase de uma era, liberamos uma de outra era, depois voltamos e etc. Assim o jogo não deixa os cenários se tornarem cansativos.

Outra coisa que fizeram bem são as animações dos personagens, algumas cutscenes até recriam cenas dos desenhos e se compararmos com a cena original dá para ver que eles chegaram bem perto.


Cada era tem em média 4 níveis, que podem ser fases longas de plataforma, chefões ou ainda fases especiais, que envolvem mecânicas únicas.

Nas fases longas temos que encontrar os relógios e cenouras douradas. Essas fases são uma mistura de um caminho linear e um ambiente aberto: existe um caminho direto para o fim da fase, mas temos que explorar diferentes partes do cenário para encontrar o que queremos.

Em algumas fases eu sinto que exageraram um pouco na duração, elas são bem longas e poderiam ser facilmente divididas em duas. Mas você não perde o que coletou se sair no meio da fase, o que ajuda muito quando retornamos para pegar itens que faltam.


Controlar Pernalonga pode ser um tanto estranho a princípio, outra coisa que podemos atribuir ao fato de ser o primeiro jogo dessa leva Looney Tunes. A maior inimiga do gameplay é a câmera, que em várias ocasiões fica num ângulo estranho, o que nos faz errar um pulo ou ter mais trabalho que o necessário para atingir um inimigo.

Com paciência e um certo tempo nos acostumamos com isso, mas pode incomodar um pouco no começo.


Nas fases especiais a busca dos colecionáveis é deixada de lado e temos outros objetivos, como corridas contra o tempo - fugindo dos feitiços da bruxa Hazel ou conquistando o Planeta X antes do Marvin -, veículos - como a perseguição de carro com Rocky e Mugsy - e uma delas ainda coloca uma disputa com Patolino para decidir se é temporada de caça ao coelho ou ao pato.

Essas fases têm um ritmo mais agitado e dão mais espaço para a criatividade da equipe, o que é bem legal. Na perseguição com Rocky e Mugsy, por exemplo, nosso carro vai sendo destruído em certos pontos da fase, transformando-se em moto, bicicleta, uniciclo até termos que abandoná-lo e montar em um carneiro!

No caso dos veículos o controle é desajeitado, afinal é um sistema que eles usaram em poucas fases, mas no geral essas fases são bem divertidas, principalmente pela criatividade das situações.


Mas algo que o jogo faz de forma excepcional é incorporar as lutas com os vilões, pois eles aparecem em quase todas as fases, de diferentes formas. Isso reforça a rivalidade com o jogador, cria um contexto para a fase e deixa todo o jogo com cara de desenho animado.

E o jogo não economiza nos confrontos diretos, com mais de 10 lutas, incluindo três vezes do Eufrazino e três do Rocky e do Mugsy. No geral eles seguem o estilo Crash Bandicoot: aguente uma onda de ataques e aproveite o momento certo para revidar. Não é nada de novo, mas combina bem com o clima dos desenhos e é bem divertido.

Mas existem algumas lutas que fogem dessa fórmula, eu particularmente gosto muito de dois confrontos com Eufrazino: um com canhões e outro com carrinhos de mineração dentro de uma mina abandonada.


As músicas são divertidas e combinam bem com os temas, mas são muito recicladas. Várias fases - às vezes de eras diferentes - usam a mesma música, reaproveitam algumas partes ou alteram a velocidade.

Já os efeitos sonoros e as vozes são bem fiéis aos desenhos. Eu percebi que a voz do Eufrazino se destacava e depois acabei descobrindo que eles usaram arquivos de voz do próprio Mel Blanc. Mas também não quer dizer que os outros dubladores fizeram um trabalho ruim, é que simplesmente não dá para competir com o Blanc.

VEREDITO

PONTOS POSITIVOS
• História divertida
• Aproveita muito bem o material dos desenhos
• Fases criativas
• Vilões aparecem muito e têm lutas bem divertidas

PONTOS NEGATIVOS
• Problemas com a câmera e com os controles

Bugs Bunny Lost in Time tem algumas falhas no gameplay que incomodam no começo, mas a criatividade e o carisma compensam muito. O jogo faz um ótimo uso dos personagens e cenários dos desenhos, fazendo com que cada fase pareça um episódio diferente, o que naturalmente traz diversos momentos divertidos para a jogatina.

Se você gosta do Pernalonga sem dúvida é um jogo que vai te agradar muito, pois representa muito bem o personagem e aproveita muito bem os vilões que ele colecionou na sua existência.

Comentários

  1. Concordo com você em gênero, número e grau ! Acho um jogo fantástico, além do seu tempo ...jogando agora novamente em pleno 2021 no PSP com o POPs versão 3.03 (único compatível com esse jogo no PSP). O game apresenta um estilo clássico dos desenhos de sua época, com muitos efeitos e animações...muito bem feito mesmo !

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